O Armando pedreiro e eu sabemos muito bem que o que passou, pode voltar a existir em nossas lembranças. Temos vivido delírios de alegria, quando, por exemplo, estamos em uma das avenidas ou ruas de Orlândia, e encontramos casas que hoje, pela aparência física, devem ser tais quais se apresentavam no passado, mais ou menos há cinquenta anos. (percebe-se que houve o desgaste do tempo, mas é só). Vibro de alegria com isso, e, de repente o Armando pedreiro me olha com aquele sorriso matreiro e me pergunta: e nesta propriedade, você se lembra quem aqui morava?
Luzia Onofre
Artigos escritos por Luzia Marilena Onofre.
Professora aposentada, foi vereadora, é advogada, é membro honorário da Academia Ribeirãopretana de Educação, é rotariana do Rotary Club de Morro Agudo.
Você, terra querida, há quase cinquenta anos, vivia mais simplesmente, com menos casas, menos habitantes, menos veículos circulando pelas suas ruas e avenidas, menos tecnologia...
Contudo, nesse seu passado, existiam mais indústrias, mais empregos, menos decepções para a grande maioria de seus moradores. Cidade tão estimada, você é uma espécie de paixão que alegra, que até machuca o coração. (O Armando pedreiro e eu estamos entre essas pessoas apaixonadas por Orlândia).
Como todas as pessoas, vivemos dias felizes ou não. O de hoje, foi especial. Recebi uma carta de uma amiga e ex colega de Escola, Regina Célia Souza Campos. É filha do Sr. Viriato de Souza e da Professora Maria Aparecida de Melo e Souza (cujo nome foi dado a uma de nossas Escolas Municipais). Pois bem, recebi da Regina uma carta com este título: “Seu artigo no Mojiano”. Em uma página, mais ou menos, Regina nos oferece importantes esclarecimentos, os quais vamos transcrevê-los; eles enriquecem nosso relato, e, especificamente aquele, em que o Armando pedreiro e eu focalizamos a Serraria São Luis (rua 6 com avenida 2). Pois bem, Regina nos revela que o Sr. Maurício Leite de Moraes e o Sr. Viriato de Souza foram sócios no empreendimento da Serraria São Luís, e, que, justamente por causa dessa sociedade, a serraria passou a chamar-se Souza e Morais Madeireira Ltda. Regina diz: “Não me recordo se havia este título sobre o pequeno escritório onde meu pai recebia os clientes; provavelmente, não... entretanto, em todos os papéis que, por força de Lei deviam existir (como notas fiscais, por exemplo), vinha o nome da firma”. Mais adiante, Regina, filha do Sr. Viriato, continua: “meu pai era sócio minoritário, seu sobrenome vinha antes do “Morais” apenas por uma questão de eufonia. Desfeita a sociedade, acho (diz ela), que por ocasião do falecimento do Sr. Maurício ou um pouco mais tarde, a meu pai coube parte do terreno, (além dos instrumentos de trabalho), justamente a parte do terreno, em que se encontrava a casa habitada pelo funcionário encarregado do pessoal, o Sr.Antonio Rodrigues. Dele, meu pai cobrava um aluguel simbólico, com recibo, apenas para não configurar usucapião. O terreno era bem posicionado e foi muito bem vendido. Graças à venda do mesmo e a seus investimentos, meu pai pôde ter uma velhice tranquila e sem muitas preocupações. Em suas doenças e cirurgias, que as houve, foi sempre bem atendido em bons hospitais particulares, mas faleceu em casa de Nereu, (meu irmão), durante o sono; uma morte santa, tranquila, que é aquela que qualquer mortal pediria a Deus.”.
Pensávamos, o Armando pedreiro e eu, que nesta semana tudo iria dar errado. Os compromissos dele e os meus estavam impedindo que nos encontrássemos e prosseguíssemos em nossos relatos.
Cheguei até a ficar um pouco desanimada diante desses contratempos e ponderei: “Armando, nossos leitores ficarão desmotivados”.
Daí a algumas horas, a “sorte” chegou via e mail. Nosso amigo e colega de profissão o Dr. Etheocles de Paula Alves, hoje, morando em São Paulo proveniente de Orlândia, e, já citado em nossos relatos, enviou-nos uma página sobre Orlândia com o título: “Os quatro mendigos”. Conversei, por telefone, com Armando pedreiro e disse-lhe: Pronto, fomos salvos pelo amigo e ex morador de Orlândia, o Etheocles.
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