Domingo, 05 de Setembro de 2010
   
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Luzia Onofre

Artigos escritos por Luzia Marilena Onofre.

Professora aposentada, foi vereadora, é advogada, é membro honorário da Academia Ribeirãopretana de Educação, é rotariana do Rotary Club de Morro Agudo.

Orlândia, São Paulo, Brasil!

Você, terra querida, há quase cinquenta anos, vivia mais simplesmente, com menos casas, menos habitantes, menos veículos circulando pelas suas ruas e avenidas, menos tecnologia...

Contudo, nesse seu passado, existiam mais indústrias, mais empregos, menos decepções para a grande maioria de seus moradores. Cidade tão estimada, você é uma espécie de paixão que alegra, que até machuca o coração. (O Armando pedreiro e eu estamos entre essas pessoas apaixonadas por Orlândia).

 

O passado vira presente

O Armando pedreiro e eu sabemos muito bem que o que passou, pode voltar a existir em nossas lembranças. Temos vivido delírios de alegria, quando, por exemplo, estamos em uma das avenidas ou ruas de Orlândia, e encontramos casas que hoje, pela aparência física, devem ser tais quais se apresentavam no passado, mais ou menos há cinquenta anos. (percebe-se que houve o desgaste do tempo, mas é só). Vibro de alegria com isso, e, de repente o Armando pedreiro me olha com aquele sorriso matreiro e me pergunta: e nesta propriedade, você se lembra quem aqui morava?

   

Em Orlândia, um dia feliz!

Como todas as pessoas, vivemos dias felizes ou não. O de hoje, foi especial. Recebi uma carta de uma amiga e ex colega de Escola, Regina Célia Souza Campos. É filha do Sr. Viriato de Souza e da Professora Maria Aparecida de Melo e Souza (cujo nome foi dado a uma de nossas Escolas Municipais). Pois bem, recebi da Regina uma carta com este título: “Seu artigo no Mojiano”. Em uma página, mais ou menos, Regina nos oferece importantes esclarecimentos, os quais vamos transcrevê-los; eles enriquecem nosso relato, e, especificamente aquele, em que o Armando pedreiro e eu focalizamos a Serraria São Luis (rua 6 com avenida 2). Pois bem, Regina nos revela que o Sr. Maurício Leite de Moraes e o Sr. Viriato de Souza foram sócios no empreendimento da Serraria São Luís, e, que, justamente por causa dessa sociedade, a serraria passou a chamar-se Souza e Morais Madeireira Ltda. Regina diz: “Não me recordo se havia este título sobre o pequeno escritório onde meu pai recebia os clientes; provavelmente, não... entretanto, em todos os papéis que, por força de Lei deviam existir (como notas fiscais, por exemplo), vinha o nome da firma”. Mais adiante, Regina, filha do Sr. Viriato, continua: “meu pai era sócio minoritário, seu sobrenome vinha antes do “Morais” apenas por uma questão de eufonia. Desfeita a sociedade, acho (diz ela), que por ocasião do falecimento do Sr. Maurício ou um pouco mais tarde, a meu pai coube parte do terreno, (além dos instrumentos de trabalho), justamente a parte do terreno, em que se encontrava a casa habitada pelo funcionário encarregado do pessoal, o Sr.Antonio Rodrigues. Dele, meu pai cobrava um aluguel simbólico, com recibo, apenas para não configurar usucapião. O terreno era bem posicionado e foi muito bem vendido. Graças à venda do mesmo e a seus investimentos, meu pai pôde ter uma velhice tranquila e sem muitas preocupações. Em suas doenças e cirurgias, que as houve, foi sempre bem atendido em bons hospitais particulares, mas faleceu em casa de Nereu, (meu irmão), durante o sono; uma morte santa, tranquila, que é aquela que qualquer mortal pediria a Deus.”.

   

Em cada canto um soluço…

O Armando pedreiro e eu temos caminhado por Orlândia lembrando o passado e, às vezes, ouvimos, em cada trecho percorrido, soluços de saudade. Será que ouvimos? Ouvimos, sim. Eles se traduzem por verdadeiras tristes poesias encontradas nos muros despencados de terrenos baldios, eles nos dão idéia de tudo que foi para não voltar, eles apenas retornam nas lembranças, na saudade. Até quando? Até quando colheremos o passado de glórias e esplendor de Orlândia? De fato, esta nossa cidade já teve bons tempos, em muitos aspectos. Desde os mais complexos até os mais simples, como, por exemplo, aquele em que vimos crianças brincando com bolas e bonecas de pano. Como avezinhas, num bando só, elas corriam felizes, dando risadas, sem jamais imaginar que o tempo levaria a bola e a boneca de pano para um lugar chamado “nunca mais”. Hoje, vale o que é eletrônico como o celular, o fone de ouvido, o vídeo game.
   

Falar sobre Orlândia do passado“dá sorte”!

Pensávamos, o Armando pedreiro e eu, que nesta semana tudo iria dar errado. Os compromissos dele e os meus estavam impedindo que nos encontrássemos e prosseguíssemos em nossos relatos.

Cheguei até a ficar um pouco desanimada diante desses contratempos e ponderei: “Armando, nossos leitores ficarão desmotivados”.

Daí a algumas horas, a “sorte” chegou via e mail. Nosso amigo e colega de profissão o Dr. Etheocles de Paula Alves, hoje, morando em São Paulo proveniente de Orlândia, e, já citado em nossos relatos, enviou-nos uma página sobre Orlândia com o título: “Os quatro mendigos”. Conversei, por telefone, com Armando pedreiro e disse-lhe: Pronto, fomos salvos pelo amigo e ex morador de Orlândia, o Etheocles.

   

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